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Palavras são doenças esperando cura. Quando digo o que sou, de alguma forma, eu o faço para também dizer o que não sou.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Desculpas pela inconveniência

Aprendi, pela certa magia e estúpida da vida, ter o direito de apontar na cara da minha própria vida e dizer que não posso chorar nem pensar em fraquejar. Rir e chorar já não é mais suficiente. Misturar as cores da sua ausência frustrada é apenas uma marca doce e estranha de ainda ter fé nos caminhos. Caminhos dilacerados, porém, alma em congênito de quietação! Toco no mais alto pássaro, ele me traz paz. Luzes se apagam e eu, que tenho pavor da noite, me acalmo ao ver o anoitecer, mais um dia passando, sua distância me sufocando.

É tão assustador olhar a cama com o lençol só pra um. Eu ainda uso aquele pijama que você sempre disse ser ridículo. Aquele azul que tem um bolso na altura do coração. Você nunca soube, mas sempre guardei seu nome escrito dentro daquele bolso e, todos os dias, antes de deitar, rezava à Mãe Oxum pedindo que o nosso amor, por mais que fosse bruto, não se tornasse agressivo ao ponto de me machucar. Eu sempre me reservei para os problemas mais intensos, e esqueci que, o maior problema de todos, estava entre nós, antes mesmo que chegasse o sereno e os nossos corpos se distanciassem. Nossas mentes vagassem.

Eu fui cego por desejo pois o olhar já não caberia o mesmo. Eu agi com emoção, eu sei. Defini tudo com a razão e errei mais ainda. Me conhecer, entender os meus ventos e aceitar que eles são tormentosos é mais fácil do que tentar me esquecer. Cigarros, seringas, canudos, copos rachados, incenso que apagou pela metade… Nada disso está no tempo de corrigir cicatrizes feitas por bonecas de porcelanas, por mãos de rosas com espinhos. É no ato de enlouquecer que a chuva se torna real. É na hora da dor que você entende o porquê que um dia te disseram pra ter cuidado com o amor. Cuide primeiro de quem já faz parte de sua vida e não de quem chega padecendo do seu amor e depois vai embora e não lhe deixa sequer um bilhete ao lado de uma flor, dizendo: se dane com o seu amor. Não se esqueça desse recado:
- Quem não guarda o teu coração, não é digno de guiar teus passos!

Carlo Lagoϟ .

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Êxtase.

Pragmático como um momento congelado em um papel com cores estáticas. Tudo em teu ser é passado. Passado desbotado. Passado uma tal coisa que faz o coração disparar depois das duas narinas entupidas. Você sabe que eu não gosto de lhe ver… Daquele jeito. Essas lembranças sendo tragado por uma brasa que fica entre seu dedos e nunca te faz respirar sem essa pressão emocional. Há tantos casos idênticos por aí e nos entregamos ao acaso.

Se fechar pro amor, nada mais é, do que uma mania velha e feia que temos de dar margens a dor. A madrugada tem fome e não será em suas mãos que o dia vai clarear mais devagar. Um cenário estremecido, com o horizonte verticalizando entre minutos a transcorrer cruzando as dores de frente de uma travessa vazia e triste. Entendi que ao se falar menos, pode-se dizer muito mais. Você ainda levanta a sobrancelha esquerda quando está mentindo. Você ainda caçoa de você mesmo quando não sabe o que fazer com o pirulito em mãos? Esses seus movimentos circulares e contorcidos já me enlouqueceu um dia. Hoje, quem sabe, somente faz com que eu reflita e me recolha aos pedaços de quem eu poderia ter sido um dia.

Você não precisa controlar suas emoções, somente reconheça-as. Te digo, foi bom. Foi uma divisão fodida entre solidão e proteção a dois, entende? Sim, você entende. Eu sinto. Eu me atropelo com uma orquestra de tormentos infinitos em mim. É, mas isso não se diz. As flores caídas e passeando com o vento me empurravam pra frente. Pra frente de mim mesmo. Me pego pensando alto e você me diz que isso é bem ligado ao meu jeito ranzinza e reclamão de ser. Eu me pego num interrogatório de perguntas desprezíveis, que não são nada diferente de ti. É apenas um devaneio com alguma agorafobia ou alguma efêmera solidão? Em meu teatro muito mal ensaiado de rapaz bem educado não há resposta para isso!


Carlo Lagoϟ.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

No tempo.

Quer falar em felicidade? Você não pode falar disso. Você acha que é feliz só porque ele te liga de madrugada? Você nem desconfia, ele tomou um banho pra tirar a morrinha da cachaça, mas ainda tem o bafo de bebidas e outras bocas mal beijadas. Ele te ligou só pra ter alguém com quem falar enquanto tocava aquela melodia sentimental. Quando tudo se perder, notarás que era hora de agradecer quando chegou a bonança. Mas você só soube gozar da tal felicidade. Cuidado com o que ditam como vida por aí, companheiro, ela é terrível. Doce como um maracujá. Delicada como um tufão.

A estrada para o amor é uma avenida sem acostamento e sem ruas ao redor. É como lamber mel em espinhos. É como cantarolar sem saber os arrepios insólitos que estão por vir. Longe de tudo e dos anseios que o passado lhe causam o seu mapa astral pode ser tornar até um raio-x emocional. Na metade entre a espera e a necessidade, ganha aquele que nunca te deixar só. Aquele que souber te esconder do mundo, nem que seja em um singelo abraço. Caminhando no escuro de mim mesmo tenho me sentido tão menos, tão pequeno perto do mundo, na verdade, tenho parecido uma anaconda: com hábitos solitários e principalmente noturnos!

Se souberes falar em dor, nos entenderemos. Não que eu seja melancólico, ou queira viver das viagens que só pude fazer pelos cartões postais. Nos entenderemos por não faltar amor entre os nossos corações. Envie menos endorfina à sua mente, controle mais isso, menina. Cuidado, os tapetes estão estendidos, mas são, de forma delicada e trágica, puxados sem que você nem note. Sou um pinel pra você, meu cheiro de bebida te irrita, mas a minha verdade te intriga. O meu beijo te resolve por inteiro deixando as suas pernas molhadas e a minha estrada não tem fim: há somente contos ciganos de corridas contra o tempo por querer mais de tudo aquilo que nunca tive e sempre tive saudade. Sempre fez falta.

Carlo Lagos.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Unidades.

Em um dial que você não se revela tudo é projetado pelas cinzas que ainda não se despediram por falta de coragem, ou, quem, sabe por não saber que não mais compõe esse girassol. Lembra daquela foto com ela bem pequenina sentada em teu colo – e ao mesmo tempo -irriquieta querendo agarrar qualquer vestígio de felicidade que não mais estivésse no escuro? Então, aquela foto se despediu como a chuva que cessa os ânimos, que molha ainda mais os rostos, ou cada parte emocional. Cada metade já foi mais integrada. Já pode haver mais encaixe, mas de tantos remendos…Tudo pega mal.

Se possíve, não entre na asneira de tentar fazer a diferença criando possível o que é impossível. Eu sei, como sempre, você vai me chamar de covarde e, vos digo: não é da sua vontade me acompanhar e eu não vou gastar o meu ardor por aí. Não vou tirar as minhas canções do coração sem que haja a voz perfeita pra fazer os casais se enamorarem. No tempo, no espaço, ainda se pode criar tudo aquilo que as luzes não mais nos mostra. Os tapetes vão voar em sua mente, mal vai querer se agarrar em ti, não esqueça de acender uma vela pro teu anjo da guarda. Pode ler aquela carta que você sempre gotou,mas nunca pense em deixar as lágrimas molhá-la: ela iria se rasgar, perderia ainda mais um pedaço de mim, de ti, do que poderia ter sido o nós um dia.

Deixe a alma permanecer nua, não crua, pois federia mais do que aquele seu maldito e interminável perfume francês. Eu ainda quis – talvez ainda queira - você… Bem longe. Os bares vazios, por volta das 05:38 da madrugada, me cega como uma estrela forte e com o brilho interminável e igual ao teu ser: ilusório. É paixão pra dois. Solidão pra um! Certos momentos vividos podem parecer ser em vão, mas, puritana, lembre-se: muitas mulheres querem patrocínio para crescerem, mas não vêem que nunca saíram das baixas instâncias do próprio ser.


Carlo Lagos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sem cansar.

Tu vais chorar em banheiros sujos. Vai olhar o relógio e ver o quanto a hora passa rápida enquanto a tua vida se perder pouco à pouco com os cigarros entre os dedos. Serás abandonada pelo teu pai que trai sua mãe já tem uns oito anos. Vai sentir vontade de sentir o sabor de outro pênis em sua boca quando estiveres com dez segundos pra dizer sim no altar, pro único homem que te tocou em sua vida. Rezar pra mãe Oxum nessas horas não vai valer muito à pena. Acender velas rosas pedindo amor não vai ter livrar daquela amargura do dia 24 de agosto de 1986, às 11:51. Não tem mais jeito, é só a piedade. Piedade oriunda e excercida dentro de você mesmo. Ninguém vai querer saber do aborto que é remoer dores que não tem mais esclarecimentos.

Saber amar é esperar? As grávidas esperam por meses e no final das contas já sabem o resultado. Aquela bosta de neném que todos – inclusive ela – acha lindo. A verdade? Não passa de um mundo fraco e sem viagem. Pastores, Diabos e Rabinos para livrares-te desta maldade. Cocaína e cigarro de filtro amarelo para lhe dar alguma coragem. Chore bem baixinho, faça aquela festinha particular dentro de você mesmo enquanto tens a sensação de seres arremeçada comalguns milhões de merda do sétimo andar. Lembras ainda daquela voz terna e maliciosa que te seduzia? Então, ela se foi. Ela foi até aos correios remeter uma carta e acabou ficando por lá, mesmo não amando ninguém, aquele homem-de-pau-indeciso-e-perfume-forte, conseguiu ser correspondido.

Nós teremos de usar mais repelentes. É, chegando o verão, dear. Têm doenças que matam, têm corpos que molham em excesso o céu-da-boca. Ficamos perdidos entre o dedo anelar – com a broxante expectativa de nos casarmos novamente -, as mentiras mal contadas e o sorriso perfeito. Ninguém vai te procurar quando chegar o final de semana, mas não pense que isso é o fim do mundo, pois, meu bem, quando os que se denominam iluminados vão se deitar é que a gente faz tudo ficar infinito. Não se preocupe com o escuro, nem o teu anjo da guarda safado e nem a tua sombra vai querer te achar quando estiveres por um triz de se perder de vez. O sangue sempre encontra o carpete ao centro da sala.

Carlo Lagos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Moedas entre os dedos.

Cara, vou ser bem sincero, o mundo está me destruindo. Não sou nem um santo nem tem vocação pra isso. Não vim a terra pra ser salvador da pátria – esta não precisa de salvação, todos sabem o que faz – e estou cansando cada vez mais. Prefiro acreditar que o mundo é grande demais pra mim; não que eu queira este abraçar, mas tocar não ia me foder mais, ou menos. Se a vida fosse maior, não sei se acrescentaria muito ao nosso pesar. Sabe, muitos que lerem esta carta vão em chamar de doido, emo, um-retardado-que-usou-alucinógenos-demais e só você vai entender cada item aqui citado. Nossas dores, são bem próximas, parecidas, cada um com sua porcentagem e magos, mas doídas da mesma forma. Sabemos bem que a vida é assim: por mais que a gente acorde com poderes de iluminar a vida de alguém, uma hora falta vela em nossa casa e vamos tentar achar cada sentimento no escuro de cada cômodo, de cada ser que somos nós. Sabe, por vezes, a vida não lhe deixa muito só, mesmo que seja pra te arranhar com uma flor, ou te dar bofetadas mostrando teu passado que é mais presente do que o teu próprio anjo-da-guarda em teu ser; a vida, meu amigo, por horas é muito filho da puta, isso mesmo, dessa forma. Por mais que muitos nunca venham me entender, eu resumo: acima das circunstâncias contraditórias vem o meu querer.
Não vou tornar a falar mau de Deus ou do Diabo, já te disse: pra mim Deus é a piada e o Diabo a gargalhada. Nada contra nenhum dos dois, seres humanos os interpretam à todo instante, sabia? Sim, umas máscaras de santos e esquecem de esconder os rabos e os chifres, além daquela catinga de enxofre que em atormenta toda madrugada. Me confunde entre o cheiro do alecrim e o queimado das almas. E, meu amigo, muitos ao lerem isso vão me chamar de doente, me defendo: doente será quem não fizer esforço (nem é necessário tanto esforço assim) para ver e admitir que digo a verdade. Cara, há uma luz aqui perto de mim que nunca se apaga; não sei se é a minha alma ganhando espaço em outra dimensão ou se é o meu ser me confundindo mais uma vez para mudar minha direção de partida ao fim. Desculpe ter soltado esta corda que há tempos pensei me prender, agora que notei, ela ainda está enrolada em meu pescoço; minha vida.

Carlo Lagos: ao amigo da noite.