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Palavras são doenças esperando cura. Quando digo o que sou, de alguma forma, eu o faço para também dizer o que não sou.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Partida!

Ela advém de tudo que eu teria a oferecer, uma vida inteira parar sermos um só, ou um só segundo para lembrarmos e ser levado por toda eternidade?!?! Ela atrai a sombra do meu espírito de volta, volta sem conclaves ou ecos, volta com abrigos e netos. Ela alastra-se com ternura, maleável e em paz, aguerrida e corajosa. Ela me costura durante os dias para me deixar um trapo nas noites em que ela se deita.  É preciso tenacidade para – não – admirar o teu universo de miado e amores em forma de petiscos. 
Quero tanto descansar em seu dom imanente, passear em um arco-íris contigo, me libertar da vida, enfiar logo de uma vez a mão inteira nessa maldita ferida que ficou em mim desde quando se mandaste pro litoral, pro lado de lado, pro Carnaval das fantasias amorosas, e só me encontrei nas ondas do mar, no doce tempo que nunca foi Rei, mas sempre imperou em meus caminhos.
Tua matéria é indelével, tenho que admitir. Tudo o que fiz era só pra te dar amor, te tirar deste orgulho ferido. Tenho um sentimento inefável e transparente, genuíno e sem juízo. Ficou tão difícil ser feliz depois de nós, depois da cortina aberta, dos armários vazios, da mesa posta somente pra um… Ficou tão mais difícil ser vida depois de uma das partes ida. Partida. 

Carlo Lagos. 


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Chama



Foi tão bom te encontrar novamente, ver que estás com uma aparência saudável, que não mais vives a imolar-se às drogas, que cortaste com navalha e gilete aquele passado sórdido. Teu sorriso tem mais sol, me faz lembrar aquele ar de casal vinte que tínhamos. Toda vez que te vejo é uma dor tão safada em mim, é como se uma orgia acontecesse em meus sentimentos que nem Afrodite conseguiria hesitar em sorrir. Adorava ter os teus poros suando, explodindo sem sentidos e somente eu sentindo. 

Ficava anestesiado quando você sorria pra mim, é como se transferisse todo o sentido da vida e eu conseguisse entender que era somente com você que eu deveria estar. De quando nos distanciamos pra cá tudo mudou bastante, não peço mais convites pra ser feliz, não espero mais alguém se aproximar pra comer com os olhos: devoro com todas as minhas forças intelectuais e as artimanhas que a vida me deu. 

Se nos encontrarmos novamente desejo que seja numa festa como a de hoje, a festa de estar vivo, de nos revelarmos sem receio para o paladar do sorrir. Nos encontramos por seis anos na fossa, né? (risos) Não tem respostas pra aquelas dúvidas, pois nunca achamos calmaria no que sequer imaginávamos estar envolvidos. Só aprendemos a conviver longe um do outro, mas eu tentei, dobrei os conselhos, fiz de ti espelho… E quebrou! 

Carlo Lagos.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Diamante.

Matei nosso amor e não terá direito a herança, entende-se: trepadinhas rápidas após o teu expediente pra que tua esposa não reclame de tua demora. Sem esteiras, sem juras de amor eterno e se nos beijarmos novamente faço questão de borrar teu terno com meu batom vermelho só pra te prejudicar.

Vais me encontrar nas redes sociais, pois estou viva e na ativa. Não adianta vir me curtir no Tinder e o único lugar que poderá me cutucar será pelo Facebook. És um cara gozador, tinha tudo pra estar sempre por cima, mas não soube apreciar uma mulher, não soube averiguar o que te faz completo enquanto procuras o significado de tua existência pelo mundo. 


Não me culpo por acreditar em tuas historinhas de que tens medo de se envolver com alguém enquanto está se separando. Eu não menti pra você, eu não te enganei, eu fui inteira e você foi abaixo do nada. Meu niilismo fez eu engolir essas suas ladainhas por quatro meses, mas, meu querido, algo ocorreu: meu medo de ficar pra sempre sozinha foi embora sem data pra voltar e deste tempo em diante vais ter que aprender a diferenciar uma pedra de crack de um diamante! 



Lagos

terça-feira, 7 de julho de 2015

Permuta!



Tiros certeiros na vértebra. Tiros de carinho e sexo safado. Eu só queria a porta aberta de novo, eu não sou idiota em pensar que você abriria a porta do carro sem pensar em trepar por horas no motel da esquina. Fico feliz. Fico pensando como seria tua vida sem mim, sem o meu cheiro, sem o meu jeito idiota a ter fazer delirar… Fico pensando em como sou idiota em pensar que sou a única que vou me deitar contigo hoje. 

É paranoia minha pensar que a gente poderia entrar naquele teu fusca azul agora e sair pelas estrada, é delírio bem íntimo pensar que você só pensaria em mim na hora de gozar. Não, isso não é coisa de mulher, isso é coisa de gente bem resolvida que sabe o que quer, sem vergonha e sem chá das cinco com dedinho levantado. 

Eu preciso viver a minha vida sem você. Eu sei que só sinto saudades de ti quando os meus dedos não são capazes de me satisfazer. Entre as minhas pernas há mais sensatez do que em teus caminhos. Não quero passar nem lavar tuas camisas enquanto você não disser que serei sempre a única, que isso será uma permuta, mesmo que eu seja sempre, somente, – sua – puta! 

Lagos. 

domingo, 7 de abril de 2013

Provações.

Ando, tento entender a graça que acham nesse mundo que vive a roer os cacos que já não é nem nosso. O céu de Abril, pra quem espera, torna a era mais serena. Esperar não vai te cansar? Não será como um temporal que tudo arrasa? Decidi não mais evoluir os nossos erros através de astrologias, ou por incêndios no coração, vi que o presente-futuro depende muita mais do viver, do que do ter.

Era uma cena de cinema, com corpos ao sofá, a vida passeando sobre nós, passando sem pedir licença nem se impor de forma ereta e reta dentro de algo que pudéssemos crer, ou creditar. Consumimos olhares indefesos, olhares sobre a mesa com um vinho tinto e o saudosismo que nos remete a solidão. Você se foi como uma estrela azul, como uma comédia comum, ou um filme com cenas vulgares. Como diria Lara: ‘’você partiu, partiu meu coração’’. Me sinto como um abajur velho da casa da tia, ou um empanado que não tem gosto.

Carro velho, muro querendo cair, corri demais, vi novelas para decorar falas, pensei em contratar um matador de aluguel pra te seguir, roubei sabonetes de motel para descontrair (como era o nosso costume). Quero que você vá pra bem longe, longe da minha casa, perto do nosso esconderijo. Como um raio que a parta, parta. Serei o poeta da dor, ou da desgraça do mundo, mas nunca tão sujo quanto a miséria que vivemos quanto se pensa em amor. Na doce vida, esse doce chamado se doar tá azedo há tempos. Nos encontraremos na quitanda da esquina e conversaremos sobre aquele cachorro indesejado da casa da sua vó, te mostrarei fotos dos novos gatos que adquiri com a sua ida ao além. Duro será compreender que só eu posso te ver, sentir e te ouvir como ninguém.

Carlo Lagoϟ.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Depois eu volto.

Eu não consigo entender, ela corria como uma criança de cinco anos pelos campos. Pelos, pelos de gatos e cachorros, nunca defino quais são os seus. A sua delicadeza escondida em uma bravura foi me corroendo como um câncer maldito, como um veneno bom de se tomar e fácil de se anestesiar. Eu não sei porque a vida ainda insiste em funcionar depois daquele dia. Eu não vou concordar nunca em ter perdido, sem ao menos ter a chance de ter lhe tido em meus braços antes de partires.

Mas eu não saberia pedir um novo amor em meio a tanta sabedoria inesperada, em rolos e confusões diplomáticas, meu bem, sua sorte tem que estar ativa. Eu não acredito em sorte, nem duvido dos poderes de Deus ou do Diabo, calma, não saia daí, eu já vou voltar com o seu chá de camomila e mel, quem sabe, assim, você fique mais dócil, menos tempestiva.

Eu me cansei de você ser uma pessoa quando estamos sós, e outra quando não quer nem lembrar dos nossos lençóis. Os nós desatados servem para isso, os nãos conquistado me deram forças para sobreviver nesses tempos de guerra particular. A minha vida é tão estranha, o teu ser era tão complementar, mas o problema todo foi esse: ser complementar. Meu bem, aquilo que só complementa não serve nem para apoiar os braços. Procure mais do que o complementar, procure o meu ser em você… Mesmo sem ter!


Carlo Lagoϟ.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Sentir na pele.

Querida, eu lembro das suas primeiras tolas e delicadas lágrimas por esse relacionamento que já nascera fracassado. Te falei que era uma onda errada, uma viagem naufragada. Uma vida não pode depender de casos, mas, sim, de fatos. Relembre, em tua doce mente, que você sabe mentir tão bem quanto sabe abrir uma porta, que sabes se vestir tão elegante quanto uma meretriz da Praça XV. Isso te pesa? Isso te corta?

Eu seria o homem mais sortudo do mundo se eu voltasse a te ver sorrir, cantar, arrumar tua casa, sem depressões sua ou jogadas em ti por mentes alheias que nunca quiseram te ver sorrir. Que sorte a sua, hein, nasceu sem nada, viveu entre os homens, dormia com sede por só ter cachaça do teu avô e mesmo assim não reclamavas. Mesmo assim lutou ao ponto de hoje só tomar água de coco. Dizer que não mais preciso de ti seria uma mentira covarde. Tuas limitações físicas me inspiram, acreditam? Vejo superação numa dor interminável, mas vejo garra e coragem para (sobre)viver.

Já sinto falta de você brigando comigo por eu querer mais um copo de cerveja, ou, até mesmo, de me dando um tapa no cigarro por não querer me ver terminando com o pulmão igual ao seu. Aliás, se o nosso pulmão trocasse de lugar com o coração será que estaríamos um pouco melhor? Não sei. E na razão de ir em frente, meu fígado me aperta, me assusta muito sem você me guiando com a sua parte rabugenta. Você vai me vigiar? Você vai rir com aquele olhar inocente de quem não sabe tão bem o que ocorre a sua volta? Tenho certeza que sim, és mulher de verdade. És da expansão do amor até a saudade!

Carlo Lagoϟ.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Na Quitanda

Era para ter caído somente o amor, mas, logo, veio a dor, o rancor, o cotidiano, quando fomos ver caiu tudo, até a autoestima. O teto não periga desabar, aliás, o derrubamos na semana em que nos afastamos.  Os jornalistas da minha vida pessoal me perguntam o motivo de nossa distância. Os urubus, meu bem, tendo carniça ou não querem vender o próximo jornal para o padre. Mas sorte teve o Zé, né? O Zé não se aborreceu, sobreviveu ao verão com aquele calor infernal, com a vida enguiçada e trancafiado dentro da própria mente.

A passeata contra os amores elétricos platônicos, meu anjo, enfim, desligou todo mundo pelo medo de levar choque na alma. Eu não fui nem iria a sua formatura, queria ver você se formando em vida, primeiro. Teu companheirismo, por vezes, fora bem necessário, mas não tão importante. Era um mês sórdido de setembro, nem lembro muito bem daquele abraço em forma de discursão e juras de que um não mais procuraria o outro. Eram uma sete e pouca da noite, a poeira estava nos cegando e o meu céu cinza ainda está de pé mesmo com a terra em brasa. Para quem sempre espera, a vida sempre erra.

C. Lagoϟ .

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Lambuzar no peito.



Eram 18:59h, o relógio não mudou a hora. Era escuro, dentro ou fora de mim, e havia muitos sonhos para pouco sono pela frente. O Ney Matogrosso, de Oxóssi com Oyá, me suspirava ‘’Promessas Demais’’ com aquele som inigualável, com amor e romance que nunca ninguém soube remeter ao próximo. Amor próprio, acima de tudo. Amor próprio que o meu, seu, deles, nunca soube como transbordar. Palavras agudas em um som doloroso e poético. Palavras mornas dentro do suor acenado de tantos esforços em vão. 

Eu me senti tão sozinho enquanto vaguei por dentro de mim mesmo, cheguei ao ponto, em muitos dias, de me comparar a um entregador de pizza. Já parou para pensar o quanto esse ser é solitário? Ele vem, te entrega a pizza, te passa o refrigerante, te dá o teu troco e enquanto você entra e apaga a sua luz da rua ele ainda está ali fora contando o dinheiro, analisando o próximo endereço, com uma luz e ternura que a gente passa anos tentando encontrar e já possuímos sem saber. Ai, minha mãe Oxum, como eu pedi para que o mundo, pelo menos em meu mundo, fosse menos medonho, com menos choros. Mas que nunca me falte o abrigo de um gélido passado, um de um fodido futuro. De repente, vi que perdi tanta gente, mornas e quentes, escuras e frias… Algumas perdas nos fazem bem, outras nos trazem a lenidade já perdida por outras tentativas, meu bem. 

O medo quase me afogou em minhas próprias lágrimas, me inundei mas não fora de repente que senti a perda. Aliás, querida, a perda é sempre programada de acordo com o início que nem sempre traz uma beleza para algum segundo atrás. Seu coração dispara na tentativa de uma cartada fatal, mas não é assim, perto do Natal, com o peru recheado ou com a gaveta vazia, que vais encontrar o que buscas na estrada, na vida (alheia). Poeiras passam por aqui e você me sorrir mentiras encantáveis. Incontável essa maneira de me restar em um gemido torto, em um sangue desgarrado dessas veias ferventes, mas em tratados com a vida se quebra tudo, menos aquele grito de desabafo e vitória de não ter se entregado antes do vinho chegar, antes da minha alma caminhar. 

Carlo Lagos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Que diferença faz?

E quando você vive por viver? Quando você não tem perspectiva de coisas a serem entendidas, rostos a serem vistos, ou ilhas para ficar lá por semanas e semanas. Parece terra de gente grande que te aniquila em segundos por tudo e por nada. Dias sozinho me tornariam maior, mas nunca melhor. Não faria sentido continuar mentindo para mim, eles, ou tu. Já vimos e vivenciamos na pele como essa história acaba. Só resta a solução de sair no meio da sessão. A fim de sobreviver pelas recordações de cidades nunca experimentadas, ou de palavras doces que se tornam azedas de tanto que foram pronunciadas.

Ter coragem acompanhado não é nada. Quantas bocas se fecharam quando a sua covardia esteve contra você? Eu ouço vozes chamando, mas nunca é o meu nome e há tempos atrás eu saberia como conduzir isso. Elas são legais, mas tão entediadas quanto as milhas de locais que pretendo chegar. As coisas que não podemos entender ficam lá, bem longe, na ilha lá de fora. Um estranho num ninho onde ninguém me estranha. Risos falsos atrás de um vaso de uma planta qualquer não conseguem mais me aninhar, nem me fazem entender como a vida é uma caminhada por qualquer caminho, num caminho qualquer vendo tudo aquilo que não se pode ver. Esteja aonde estiver. 

A dor no corpo e no coração, uma canção com qualquer seis minutos, aconteça o que acontecer, você vai entender que nem tudo aquilo que é fundamental, é emocional. Quantos de nós já saímos de uma vagina ensanguentada, berrando, chorando, e você ainda pensa que em vida seria diferente? São duas metades que, nem sempre, há igualdade. Sem direção, tentando viver. Você vai repudiar todos os embates, mas sempre haverá a necessidade de mais… Mais de você por inteiro. Mais de você afastado dessas nuvens com falsos sentimentos mordidos por ilusionistas de quinta classe. Eles são legais, eles estão lá fora… Fora. É só cara limpa com sorriso claro, e mente suja. 

Carlo Lagos.